13.11.17

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Iha loron-domingu ne'e, Prezidente timoroan halo homenajen ba "joven sira korajen nian" ne'ebé luta ona hasoru okupasaun indonéziu iha Timor-Leste, evoka vítima sira hosi masakre sira Santa Cruz nian, iha tinan 1991, no apela ba "hakmate no espíritu dame nian" iha momentu polítiku atual. 

 

Foto@ António Dasiparu /EPA


"Hodi dezenvolve nasaun ita presiza hakmatek no espíritu dame nian. Diferensa polítika sira hanesan natural iha demokrasia. Hanesan natural mosu diferensa sira iha programa sira, iha asaun sira ka opiniaun sira entre ema sira ka entre grupu sira", Francisco Guterres Lu-Olo hatete iha diskursu ne'ebé halo iha rate boot liu iha sidade Díli nian.

 

"Nu'udar Prezidente Repúblika ha'u apela ba diálogu, ba moderasaun iha diskursu sira ba ba respeitu ba dignidade hosi ema tomak nian. Dezenvolvimentu, kriasaun ba empregu, preparasaun hosi joven sira ba futuru presiza ambiente estável ida ne'ebé permiti implementasaun hosi polítika estável sira, iha área tomak", nia insisti.

 

Francisco Guterres Lu-Olo ko'alia iha serimónia ida hodi hanoin hikas masakre Santa Cruz ne'ebé akontese iha tinan 26 liubá, akontesimentu ne'ebé, filma hosi jornalista Max Stahl, fó koñese ba mundu drama ne'ebé maka populasaun hasoru ho okupasaun indonéziu iha Timor-Leste.

 

Intervensaun akontese iha momentu ida tensaun polítika iha Timor-Leste ho Governu minoritáriu, ne'ebé simu pose iha loron 15 Setembru, lidera hosi Fretilin, bele tuun bainhira opozisaun xumba ba dala rua programa hosi ezekutivu.

"Diferensa polítika sira labele hapara dezenvolvimentu nasional. Ne'e presiza komprensa hosi ema tomak hodi defende interese nasional sira - interese hosi ema tomak nian", xefe Estadu hatutan.

 

"Ha'u apela ba reforsu dame no estabilidade nian, no ha'u fiar iha imi nia maturidade polítika kresente. Ho de'it dame no estabilidade maka permiti ita rezolve problema sira juventude nian no nasaun nian. Ne'e maka heransa ne'ebé ita simu hosi raan sira ne'ebé joven sira fakar iha loron 12 Novembru 1991: konsolidasaun hosi espíritu nasionalista ho hosi unidade nasional nian", nia hatutan.

 

Grupu ida halibur hamutuk iha loron-domingu ne'e iha rate hodi hanoin hikas momentu ida ne'ebé importante tebes iha tinan ikus sira hosi luta hasoru okupasaun indonéziu.

 

Iha loron 12 Novembru 1991 hala'o misa ida no serimónia homenajen ida ba Sebastião Gomes, mate hosi elementu sira ne'ebé iha ligasaun ho forsa indonéziu sira loron balun antes iha bairu Motael, no ema rihun resin diriji to'o iha rate Santa Cruz.

Durante la'o sira loke kartaz sira protestu nian. Forsa indonéziu sira hatán ho violénsia maka'as, oho ema liu na'in 250 resin.

 

Imajen sira hosi masakre Santa Cruz, hasai hosi jornalista inglés Max Stahl no ne'ebé, ba ema barak marka ona momentu ida virajen nian iha kestaun Timor-Leste nian, sai hosi Díli liutiha loron hafoin masakre, iha loron 14 Novembru 1991, tanba intervensaun hosi holandeza Saskia Kouwenberg, ne'ebé subar kasete ne'e iha "bolsa" ida improvizadu entre kuekas rua ne'ebé suku hamutuk, iha istória ida ne'ebé nia konta ba ajénsia Lusa.

 

Iha nia diskursu, xefe Estadu fó ona homenajen ba "movimentu sira hosi joven sira korajen nian hasoru okupasaun no violénsia ba dignidade povu nian", ba "jornalista sira no belun sira ho korajen", hanesan Max Stahl, Allan Nairn, Amy Goodman ho Saskia Kouwenberg ne'ebé "haree ona no fó sai ona akontesimentu sira iha estranjeiru".

 

"Ha'u felisita memória hosi joven mártir sira ho asuwa'in hosi Santa Cruz ne'ebé fó aan ba mate no ba sira ne'ebé maka fó sira nia moris iha momentu sira seluk hosi ita nia prosesu luta ba independénsia nian", nia hatete.

 

"Ha'u felisita no habelar ha'u nia sentimentu profundu ba família tomak ne'ebé iha lutu nia laran, ne'ebé lakon oan-mane no oan-feto sira iha luta hodi defende dignidade povu nian no independénsia hosi ita nia rain, iha Santa Cruz no iha fatin sira seluk", nia afirma.

 

Lu-Olo konsidera "dame ho indepenénsia hanesan rikusoin boot" ne'ebé nasaun simu ho luta hasoru okupasaun, no hanesan importante pasa ba jerasaun sira iha futuru respeitu ba dignidade hosi ema timoroan tomak nian inklui joven sira".

 

"Iha tempu masakre Santa Cruz nian, luta hodi hadi'a kondisaun sira moris nian signifika luta ba liberdade no independénsia", nia konsidera.

 

"Agora, restaura ona independénsia, luta hodi hadi'a kondisaun sira moris nian signifika hametin dame hodi kontinua dezenvolve ita nia nasaun no ita nia kondisaun sira moris nian, no fó moris di'ak sira ba ita nia oan sira no ita nia bei-oan sira", nia hatutan mós.

 

Iha diskursu, xefe Estadu fó hanoin hikas importánsia hodi "fó atensaun máximu ba kestaun sira juventude nian", ho renovadu aposta sira iha edukasaun, formasaun profisional, kriasaun empregu nian no hadi'a kondisaun sira moris nian.

 

"Timor-Leste presiza joven sira ne'ebé preparadu hodi hatán ba nesesidade sira hosi dezenvolvimentu agrikultura nian iha nasaun tomak. Presiza mós empreza sira ho susesu, liuliu iha área turizmu, ne'ebé iha potensial maka'as hosi aumentu iha tinan hirak tuirmai", nia hatete.

 

ho Lusa

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O Presidente timorense homenageou ontem os "jovens de coragem" que lutaram contra a ocupação indonésia de Timor-Leste, evocando as vítimas do massacre de Santa Cruz, de 1991, e apelando à "tranquilidade e espírito de paz" no atual momento político. 

 

Foto@ António Dasiparu /EPA

 

"Para desenvolver o país precisamos de tranquilidade e espírito de paz. As diferenças políticas são naturais em democracia. É natural surgirem diferenças de programas, de atitudes ou opiniões entre pessoas ou grupos", disse Francisco Guterres Lu-Olo, num discurso no maior cemitério da cidade de Díli.

 

"Como Presidente da República apelo ao diálogo, à moderação no discurso e ao respeito pela dignidade de todos. O desenvolvimento, a criação de empregos, a preparação dos jovens para o futuro requerem um ambiente estável que permita a implementação de políticas estáveis, em todos os setores", insistiu.

 

Francisco Guterres Lu-Olo falava numa cerimónia evocativa do 26.º aniversário do massacre de Santa Cruz, acontecimento que, por ser filmado pelo jornalista Max Stahl deu a conhecer ao mundo o drama que se vivia com a ocupação indonésia de Timor-Leste.

 

A intervenção ocorreu num momento de tensão política em Timor-Leste com o Governo minoritário que tomou posse a 15 de setembro, liderado pela Fretilin, a poder cair se a oposição chumbar pela segunda vez o programa do executivo.

 

"As diferenças políticas não podem parar o desenvolvimento nacional. Isto exige a compreensão de todos para a defesa dos interesses nacionais - os interesses de todos", exortou o chefe de Estado.

 

"Apelo ao reforço da paz e da estabilidade, e acredito na vossa maturidade política crescente. Só a paz e a estabilidade nos permitem resolver os problemas da juventude e do país. É esta a herança que recebemos pelo sangue derramado pelos nossos jovens a 12 novembro de 1991: a consolidação do espírito nacionalista e da unidade nacional", acrescentou.

 

Uma multidão concentrou-se ontem no cemitério para recordar um dos momentos mais importantes dos anos finais de luta contra a ocupação indonésia.

 

A 12 de novembro de 1991 realizou-se uma missa e cerimónia em homenagem de Sebastião Gomes, morto por elementos ligados às forças indonésias uns dias antes no bairro de Motael, e milhares de pessoas dirigiram-se até ao cemitério de Santa Cruz.

 

Durante o percurso alguns abriram cartazes e faixas de protesto. As forças indonésias responderam com extrema violência, matando mais de 250 pessoas.

 

As imagens do massacre de Santa Cruz, recolhidas pelo jornalista inglês Max Stahl e que, para muitos marcaram um momento de viragem na questão de Timor-Leste saíram de Díli, dois dias mais tarde, a 14 de novembro de 1991, graças à intervenção da holandesa Saskia Kouwenberg, que escondeu a cassete numa ‘bolsa' improvisada entre duas cuecas cosidas uma à outra, conforme contou à agência Lusa.

 

No seu discurso, o chefe de Estado homenageou quer "o movimento dos jovens de coragem contra a ocupação e violação da dignidade do povo", os "jornalistas e amigos corajosos", como Max Stahl, Allan Nairn, Amy Goodman e Saskia Kouwenberg que "testemunharam e divulgaram os acontecimentos no estrangeiro".

 

"Saúdo a memória dos jovens mártires e heróis de Santa Cruz que se entregaram à morte e de todos aqueles que deram a vida em outros momentos do nosso processo de luta pela independência", disse.

 

"Saúdo e estendo o meu sentimento profundo para com todas as famílias enlutadas, cujos filhos e filhas tombaram na luta em defesa da dignidade do povo e da independência da nossa terra, em Santa Cruz e outros lugares", afirmou.

 

Lu-Olo considerou a "paz e a independência a maior riqueza" que o país recebeu com a luta contra a ocupação, sendo crucial passar para as gerações futuras "o respeito pela dignidade de todos os timorenses, incluindo os jovens".

"No tempo do massacre de Santa Cruz, lutar pela melhoria das condições de vida significava lutar pela liberdade e a independência", considerou.

 

"Agora, restaurada a independência, lutar pela melhoria das condições de vida significa reforçar a paz para continuar a desenvolver o nosso país e as nossas condições de vida, e propiciar mais bem-estar aos nossos filhos e netos", considerou ainda.

 

No discurso, o chefe de Estado recordou a importância de dar "atenção máxima às questões de juventude", com renovadas apostas na educação, formação profissional, criação de emprego e melhores condições de vida.

 

"Timor-Leste precisa de jovens preparados para responder às necessidades do desenvolvimento da agricultura em todo o país. Precisa também de empresas com sucesso, especialmente no setor do turismo, que tem um alto potencial de aumento nos próximos anos", disse.

 

Lusa

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9.11.17

 

"Hamutuk ita luta ba moris di'ak ida ba sobrevivente sira no ba Povu tomak Timor-Leste nian iha futuru", hanesan tema hosi Kongresu Nasional daruak hosi Komité 12 Novembru, ne'ebé hala'o, iha Sentru Konvensaun iha Díli, hahú loron-tersa ne'e. Enkontru loron tolu hotu iha loron-kinta ne'e. 

 

Foto@ SAPO Timor-Leste

 

Iha abertura eventu nian, iha 07 Novembru liubá, Primeiru-Ministru Mari Alkatiri ko'alia kona-ba importánsia istóriku hosi 12 Novembru ba nasaun, hodi konsidera hanesan "marka nasional" ida ne'ebé "reprezenta sakrifísiu boot ida ne'ebé maka joven timoroan sira halo. Liuliu ba sira maka ha'u hakarak halo homenajen no hakarak rekoñese. Hanesan ba joven sira maka ohin loron iha dame, unidade no estabilidade nasional".

 

Prezidente Repúblika, Francisco Guterres Lú Olo, halo ona homenajen mós ba joven sira no ba sira ne'ebé maka halo parte iha "loron sakrifísiu" nian no hanoin hikas knaar importante hosi Max Stahl, ne'ebé filma ona akontesimentu sira, no hosi Saskia Kouwenberg, jornalista ne'ebé lori imajen sira ne'ebé fó sai iha mundu tomak no bolu atensaun ba situasaun iha Timor-Leste.

 

Prezidente Repúblika subliña ona importánsia hosi uniaun no koñesimentu hodi bele halakon susar sira no apela ona ba povu nia ba nia reprezentante eleitu sira hodi mantén espirítu ne'ebé hanesan matadalan ba ema sira ne'ebé halo ona sakrifísiu, iha momentu ne'ebé povu no nasaun hasoru dezafiu foun sira.

 

Primeiru-ministru afirma fali nia konfiansa iha povu no hatutan katak líder polítiku sira maka tenki "buka dalan sira hodi hetan konsensu ida hodi garanti dame no estabilidade nasional".

 

Mari Alkatiri fó hanoin aktak "Prezidente Repúblika halo ona diálogu ho forsa polítika oioin, no ha'u rasik hatudu nafatin vontad ehodi halo diálogu ho interveniente polítiku sira. Maibé agora ha'u senti prontu halo diálogu bainhira ema sira seluk prontu hodi aseita vontade popular".

 

Fonte: Governo de Timor-Leste

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“Juntos lutamos por uma vida melhor para os sobreviventes e para todo o Povo de Timor-Leste, no futuro”, é o tema do 2.° Congresso Nacional do Comité 12 de Novembro, que decorre, no Centro de Convenções de Díli, desde terça-feira. O encontro de três dias termina hoje. 

 

Foto@ SAPO Timor-Leste

 

Na abertura do evento, no dia 7 de novembro, o Primeiro-Ministro, Mari Alkatiri, salientou a importância histórica do dia 12 de novembro para o país, considerando-o um “marco nacional” que “representa um enorme sacrifício feito pelos jovens timorenses. São, sobretudo, eles que eu quero homenagear e reconhecer. É aos jovens que devemos hoje a paz, a unidade e a estabilidade nacionais”.

 

O Presidente da República, Francisco Guterres Lú Olo homenageou, também os jovens e todos os que padeceram naquele “dia de sacrifício”, e lembrou o papel fundamental de Max Stahl, que filmou os acontecimentos, e de Saskia Kouwenberg, a jornalista que levou as imagens que foram difundidas em todo o mundo e chamaram a atenção para a situação em Timor-Leste.

 

O Presidente da República sublinhou a importância da união e do conhecimento para se superarem as dificuldades e apelou ao povo e aos seus representantes eleitos, que mantenham mesmo esse espírito que guiou os que se sacrificaram, neste momento em que o povo e agora a nação, enfrentam novos desafios.

 

O Primeiro-Ministro reafirmou a sua confiança no povo e salientou que cabe aos líderes políticos “procurarem vias para chegar a um consenso que garanta a paz e a estabilidade nacionais”. Mari Alkatiri recordou “que o atual Presidente da República dialogou com as várias forças políticas, e que eu próprio sempre me mostrei pronto para dialogar com todos os intervenientes políticos. Mas agora só estarei pronto para dialogar quando todos estiverem prontos para aceitar a vontade popular”.

 

Fonte: Governo de Timor-Leste

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12.11.15

Homenajen ba asuwa'in sira hosi masakre Santa Cruz nian iha Díli.

 

 

 

Mais fotos em / Haree foto sira seluk iha: Homenagem - 12 de Novembro 2015 em Díli

 

Fonte: Gabinete do Primeiro-Ministro

 

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Dois dias depois do massacre de Santa Cruz, a 14 de novembro de 1991, Saskia Kouwenberg coseu duas cuecas uma à outra, arranhou o interior do nariz até chorar e deixou cair sangue no tecido, que escondia um documento vital.


 

Foto: Epifânio Sarmento @SAPO TL


A 'bolsa' improvisada pela holandesa, manchada de sangue, tinha no seu interior a cassete com as imagens do massacre no cemitério de Santa Cruz, recolhidas pelo jornalista inglês Max Stahl e que, para muitos marcaram um momento de viragem na questão de Timor-Leste.

Foi uma medida preventiva. Saskia Kouwenberg, que aceitou pela primeira vez contar a história, explicou à Lusa que o conteúdo da cassete que transportou de Díli tinha que chegar às televisões de todo o mundo.

Pensando que a sua bagagem poderia ser revistada - e contando com os eventuais preconceitos muçulmanos caso isso acontecesse -, Kouwenberg, que conversou com a Lusa pela rede social Skype, a partir de Amesterdão, queria garantir que as imagens não seriam descobertas.

"Pedi a um jornalista que me arranjasse agulha e linha. Eu uso sempre cuecas enormes. Confortáveis mas enormes. Arranhei tanto o nariz que até chorei. E enchi as cuecas de sangue, e depois cozi duas e meti a cassete lá dentro e fui para o aeroporto", recordou.

Envolvida no movimento pacifista da década de 1980 teve o primeiro contacto com os timorenses em Darwin, norte da Austrália, para onde se mudou com o marido no início dos anos 1990.

A proposta visita de uma delegação parlamentar portuguesa a Díli, em outubro de 1991 fez aumentar o interesse à volta da situação em Timor. Como a visita coincidia com uma viagem que Saskia e o seu marido na altura, Russell, deveriam fazer à Europa, decidiram incluir uma passagem por Díli.

"Na altura disseram que ia ser muito difícil entrar, que não íamos conseguir. Mas conseguimos entrar. Só que a visita da delegação acabou por ser cancelada e tudo entrou em colapso", recorda.

O Governo indonésio rejeitou a inclusão na delegação - de que fariam parte 12 jornalistas - da jornalista australiana Jill Jolliffe, considerada próxima da resistência, e Portugal recusou manter a visita se esta fosse excluída.

"Isso gerou pânico em Timor. Muitas pessoas e muitos jovens tinham-se preparado para visita e queriam, a todo o custo, falar com eles", recorda Saskia, uma dos sete ou oito estrangeiros que estavam em Díli na altura.

A tensão aumentou e a 28 de outubro tropas indonésias e elementos pró-integracionistas atacaram um grupo de jovens que estava na Igreja de Motael a preparar manifestações para receber a delegação parlamentar, de que resultou a morte do jovem pró-independentista Sebastião Gomes e do pró-integracionista Afonso Henriques.

A 12 de novembro realiza-se uma missa e cerimónia em homenagem de Sebastião Gomes e milhares de pessoas dirigem-se de Motael até ao cemitério de Santa Cruz.

Durante o percurso alguns abriram cartazes e faixas de protesto. As forças indonésias respondem com extrema violência, matando mais de 250 pessoas.

Um ativista neozelandês, Kamal Bamadhaj, foi morto, dois jornalistas foram espancados, os americanos Amy Goodman e Allan Nairn, e as imagens foram registadas pelo jornalista inglês Max Stahl.

Nesse dia Saskia estava como uma grande dor nas costas, que praticamente não a deixava movimentar-se. Gravou algumas imagens, ainda na igreja, e regressou ao Hotel Díli, onde estava hospedada.

"Quando saí de novo vi que a cidade estava praticamente deserta e comecei a perguntar o que tinha acontecido. Estavam pessoas escondidas em vários locais que disseram que tinha acontecido algo muito mau", contou.

"Nessa noite falei com o Max que disse que tinha escondido o filme no cemitério. Ele foi lá busca-lo e, depois a questão era quem tirava o filme de Timor. Eu ofereci-me porque não tinha sido vista em Santa Cruz", explica.

Primeiro tentou com o Relator Especial da ONU para Direitos Humanos e Tortura, Pieter Kooijmans, que estava em Díli a quem pediu se podia levar a cassete.

"Ele disse que não. Estava borrado de medo. Falei também com a Embaixada holandesa. Ninguém acreditava que isto tinha acontecido", disse.

Retirar a cassete com as imagens de Timor-Leste, recorda, foi uma espécie de "filme B" que começa no aeroporto onde chega, no dia seguinte, com o seu marido e o americano Steve Cox, e é informada de que o voo estava cheio.

"Eu corri para o avião a dizer que tinha que sair. Os militares tentaram tirar-me das escadas. Estava aos gritos. E enquanto isto estava a decorrer o Kooijmans passou por mim e fez que não me conhecia", disse.

"Depois de muitos gritos e discussão deixaram-me entrar com o Steve Cox e o Russell. E quando chegámos vimos que havia mais lugares vazios. Foi uma situação muito tensa", disse.

Os seus companheiros de viagem saíram em Kupang, Timor indonésio, e Saskia continuou até Bali onde se misturou com turistas enquanto esperava ligação para Jakarta.

Ali, depois de uma conversa de uma hora entre o embaixador e as autoridades indonésias, acabou por passar pela zona VIP, sendo levada para um quarto na missão diplomática de onde não pode sair.

"Eles insistiam que eu entregasse tudo o que tinha comigo. Diziam-me que eu não ia conseguir sair com o filme. Pensei e dei-lhes um pacote que disse que só podiam entregar ao charge d'affairs - que eu sabia que estava fora. Eles pensaram que era a cassete mas era só uma cópia do livro Exodus", conta, sorrindo.

Coze as cuecas e prepara-se para nova viagem para o aeroporto antes do voo para Amesterdão. Apesar do medo e de mais negociações com as autoridades indonésias é levada de carro à porta do avião e embarca, sem que a sua mala seja sequer revistada.

"Passam quatro dias entre sair de Díli e estar em segurança. Na Holanda tive que dar o filme aos donos que tinha contratado Max Stahl. Eu queria que o filme fosse transmitido nessa mesma noite porque ainda havia a controvérsia porque a Indonésia negava que tinha havido um massacre em Timor", disse.

"Eles insistiam que as imagens eram para usar num documentário. E eu recusei-me a entregar a cassete. Pedi primeiro à televisão holandesa que fizesse uma cópia. E essas foram as imagens transmitidas na noite de sábado 16, cinco dias depois do massacre", recorda.

Um momento crucial para Timor-Leste, quer pelo reconhecimento internacional que o problema assumiu mas, destaca, pelo impacto que as imagens tiveram em Portugal.

"Até Santa Cruz havia tanta negação na comunidade internacional sobre o que estava a acontecer. E aqui tínhamos um exemplo em que os indonésios diziam que nada tinha acontecido, e as imagens mostraram o contrário, que algo grande tinha ocorrido", disse.

"Essas imagens fizeram uma grande diferença especialmente em Portugal. Porque as pessoas na capela e no cemitério estavam a rezar em português. E em poucos dias todas as casas em Portugal acenderiam velas por timor, comprometendo-se a não abandonar Timor de novo", afirmou.

@Lusa

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Loron rua hafoin masakre Santa Krús, iha loron 14 novembru 1991, Saskia Kouwenberg suku kuekás rua hamutuk, nia hakanek inus laran no to’o tanis no halo raan monu ba hena, ne’ebé subar dokumentu vitál ida.


 

Foto: Epifânio Sarmento @SAPO TL

 

'Bolsa' mak halo hosi olandeza, mesak raan, iha kasete ida iha laran ho mós imajen sira masakre nian iha semitériu Santa Krús, mak rekolla hosi jornalista inglás Max Stahl no,ba ema barak marka momentu kona-ba kestaun Timor-Leste nian.

 

Ne’e hanesan medida preventiva ida. Saskia Kouwenberg, ne’ebé ba dala uluk aseita hodi konta istória ne’e, esplika ba Lusa katak konteúdu hosi kasete mak lori hosi Dili tenke to’o iha televizaun mundu tomak nian.

 

Hanoin katak nia bagajen bele hetan revista - no konta ho eventuál prekonseitu musulmanu karik ida ne’e akontese -, Kouwenberg, ne’ebé ko’alia ho Lusa liuhosi rede sosiál Skype, iha Amesterdaun, hakarak  garante katak sei la deskobre imajen sira.

 

"Ha’u husu ba jornalista ida atu ajuda daun no kabas mai ha’u. Ha’u sempre uza kuekás boot. Konfortável maibé boot. Ha’u koi no halo kanek inus no to’o tanis. Ha’u enxe kuekás ho raan, no tuir mai ha’u suku hamutuk sira na’in rua no ha’u hatama kasete ba laran no ba aeroportu", nia haktuir.

 

Envolve-an iha movimentu pasifista iha dékada 1980 no hetan primeiru kontaktu ho timoroan sira iha Darwin, norte Austrália nian, iha ne’ebé hamutuk ho nia kaben ba iha inísiu tinan 1990.

 

Proposta vizita delegasaun parlamentár portugeza nian ba Dili, iha outubru 1991 aumenta interese kona-ba situasaun iha Timór. Tanba vizita hanesan ho viajen Saskia ho nia kaben, Russell, iha altura ne’ebá tenke halo ba Europa, sira deside inklui pasajen hosi Dili.

 

"Iha altura ne’ebá sira hatete katak difísil tebes atu tam, katak ami sei la konsege. Maibé ami konsege tama. Maibé kansela tiha vizita delegasaun nian no buat hotu tama ho kolapsu", nia rekorda.

 

Governu indonéziu rejeita inkluzaun iha delegasaun –jornalista na’in 12 hosi jornalista australiana Jill Jolliffe, no konsidera besik iha rezisténsia, no Portugál rekuza atu hala’o vizita karik esklui da ne’e.

 

"Isso gerou pânico em Timor. Ema no joven barak prepara ba vizita ne’e hakarak tebes ko’alia ho sira ", rekorda Saskia, estranjeiru ida mós hosi sira na’in hitu ka ulau mak iha Dili iha momentu ne’ebá.

 

Tensaun aumenta iha loron 28 outubru tropa indonézia sira no elementu pró-integrasionista sira ataka grupu joven sira nian ida ne’ebé hela iha Igreja Motael mak  prepara manifestasaun hodi simu delegasaun parlamentár, ne’ebé hamate joven pró-independentista Sebastião Gomes no pró-integrasionista Afonso Henriques.

 

Iha loron 12 novembru halo misa no serimónia ida hodi fó omenajen ba Sebastião Gomes no ema rihun la’o hosi Motael ba to’o semitériu Santa Krús.

 

Durante perkursu ne’e sira balun loke kartás no faixa protestu nian. Forsa indonézia sira hatán ho violénsia hodi oho ema 250 resin.

Ativista neozelandés ida, Kamal Bamadhaj, mate, baku jornalista na’in rua, amerikanu Amy Goodman no Allan Nairn, no jornalista inglás Max Stahl hasai imajen.

 

Iha loron ne’e Saskia sente moras maka’as iha kotuk, ne’ebé halo nia la’o la di’ak. Nia grava imajen balun, iha igreja, no nia fila ba Otel Dili, iha ne’ebé nia hela ba.

 

"Bainhira ha’u sai hikas ha’u haree katak sidade fuik tebes no ha’u hahú husu sá mak akontese. Ema subar iha fatin oioin ne’ebé hatete katak akontese buat ne’ebé aat tebes", nia haktuir.

 

"Iha kalan ne’e ha’u ko’alia ho Max katak ha’u subar filme iha semitériu. No nia ba iha ne’ebá foti, tuir fali kestaun mak sé mak halo filme Timór nian. Ha’u dehan ha’u tanba seidauk haree iha Santa Krús", nia esplika.

 

Primeiru nia tenta ho Relatór Espesiál ONU nian ba Direitu Umanu no Tortura, Pieter Kooijmans, ne’ebé iha Dili no nia husu atu lori kasete ne’e.

"Nia hatete katak la’e. Nia ta’uk tebes. Ha’u ko’lia mós ho Embaixada olandeza. La iha ema ida mak fiar katak buat ne’e akontese", nia hatete.

 

Nia rekorda katak halo kasete ho imajen Timor-Leste nian, hanesan "filme B" ida ne’ebé komesa iha aeroportu ne’ebé nia to’o, iha loron tuir mai, ho nia kaben  no americkanu Steve Cox, no simu informasaun katak semok nakonu hotu.

 

"Ha’u halai ba aviaun hodi hatete katak ha’u tenke sai. Militár sira tenta hasai ha’u hosi eskada. Iha hakilar. No bainhira ida ne’e akontese hela Kooijmans liuhosi ha’u no halo hanesan la koñese ha’u", nia hatete.

 

"Hafoin hakilar dala barak no diskusaun sira husik ha’u tama ho Steve Cox no Russell. No bainhira to’o ami haree katak iha fatin mamuk barak. Situasaun ne’ebé difísil tebes", nia hatete.

 

Nia kompañeiru sira viajen nian sai iha Kupang, Timór indonéziu, no Saskia kontina to’o Bali iha ne’ebé mistura ho turista sira bainhira hein ligasaun ba Jakarta.

 

Iha ne’ebá, hafoin konversa durante oras ida entre embaixadór no autoridade indonézia sira, ni liu hosi zona VIP, lori ba kuartu ida iha misaun diplomátika mak la bele sai.

 

"Sira insiste atu ha’u entrega buat hotu mak ha’u iha. Sira hatete mai ha’u katak ha’u sei la konsege sai ho filme. Ha’u hanoin no fó ba sira pakote ida ne’ebé ha’u hatete katak sira bele entrega bainhita ro’o iha charge d'affairs – ne’ebé ha’u hatene katak la iha. Sira hanoin katak ne’e kasete maibé ne’e kópia ida hosi livru Exodus", nia haktuir ho hamnasa.

 

Nia suku kuekás no prepara hodi halo viajen foun ba aeroportu molok semok ba Amesterdaun. Maski tauk no negosiasaun sira ho autoridade indonézia sira no lori ho kareta ba odamatan aviaun nia no niatama, sein revista nia mala.

 

"Liu tiha loron haat entre sai hosi Dili no seguru. Iha Olanda ha’u tenke fó filme ba na’in mak kontratu ho Max Stahl. Ha’u hakarak atu trazmite filme iha kalan ne’e kedas tanba seidauk iha kontrovérsia tanba Indonézia hatete katak la akontese masakre iha Timór", nia hatete.

 

"Sira insiste atu uza imajen sira iha dokumentáriu ida. No ha’u lakohi entrega kasete. Ha’u husu uluk na televizaun olandeza atu halo kópia ida. No sira ne’e imajen sira mak tranzmite iha loron 16, sábadu kalan, loron lima hafoi masakre", nia rekorda.

 

Momentu krusiál ida ba Timor-Leste, ba rekoñesimentu internasionál katak problema asume maibé, destaka, ba impaktu hosi imajen iha Portugál.

"To’o iha Santa Krús mosu negasaun iha komunidade internasionál kona-ba sá mak akontese dadaun. No iha ne’e ami iha ezemplu ida iha ne’ebé indonéziu sira hatete katak buat ida sei la akontese, no imajen hatudu buat seluk, akontese tiha ona buat boot ida", nia hatete.

 

"Imajen hirak ne’e halo diferensa boot liu-liu iha Portugál. Tanba ema iha kapela no iha semitériu reza iha lian portugés. No iha loron hirak tuir mai uma sira iha Portugál sunu lilin ba Timór, kompromete katak se lai husik tan ona Timór", nia afirma.

 

SAPO TL ho Lusa

 

 

 

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Fofoun haree ba hanesan hena mean ida ne’ebé monu ba nia peitu to’o liman, maibé ikus mai komprende katak kór-mean, afinál, ne’e raan ne’ebé hahú hosi leten, iha Zeferina dos Santos nia oin.


 

Zeferina dos Santos, sobrevivente hosi masakre 12 novembru 1991, hamutuk ho nia imajen mak hasai hosi jornalista ingles Max Stahl, ne’eb’e sai hanesan retratu poderozu ida mós iha masakre Santa Krús, iha Arkivu no Muzeu Rezisténsia Timoroan (ARMT) iha Dili, Timor-Leste, 11 novembru 2015. EPA@ António Amaral

 

Sadere ba parede iha kapela Semitériu Santa Kr’us nia laran, faru mutin ho pinta metan - parte barak kona kór mean -, kabaas to’o liman-sikun no kona fuuk mós.

 

Iha imajen mak sei rejista ba nafatin dadeer trájika ne’e iha loron 12 novembru 1991, elementu mak iha liu podér hosi fotografia la’ós raan ne’eb’e taka oin, roupa no “ baços” Zeferina nian. Ne’e matan.

 

Nia la tanis, karik tanis, raan fase tiha nia matan-been. Laran hirus ne’ebé karik iha, agora interpreta imajen hafoin tinan 24, la iha. Molok ne’e hanesan hateke ida kuaze mamuk, la iha, rezigna.

 

Hateke ne’e la muda tanbaa joven ne’ebé uluk ho tinan 25 no ohin loron inan hosi oan na’in hitu ne’e "kontente ba independénsia", hanesan esplika ba Lusa iha dada-lia ida iha Arkivu no Muzeu Resisténsia Timoroan (AMRT) iha Dili.

 

Imajen ne’e Max Stahl nian no sai nu’udár ne’ebé mós ihakbi’it maka’as iha masakre Santa krús.

 

La’ós ida be boot liu maibé masakre ne’ebé importante tebes iha istória okupasaun indonézia iha Timor-Leste. Imajen sira jornalista inglés nian sai testemuña ba mundu ba sá mak rezisténsia hatete iha tinan 16 liubá, no tuir pratika hakilar no ema ida la rona.

 

"Halo misa iha Igreja Motael no hafoin ne’e ami ba Santa krús. Bainhira ami to’o iha semitériu mosu konfuzaun boot no ema balun iha liur komesa hatete katak ami tama. Ha’u rona kilat tarutu, ha’u monu no ema barak monu iha ha’u-nia leten. Ha’u nakonu ho raan", nia hanoin hikas.

"Nune’e duni. Ha’u hanoin katak ha’u sei mate. Ha’u lakon sentidu. Ha’u rona kilat tarutu no ha’u hanoin katak ha’u sei mate. Bainhira monu ha’u lakon konsiénsia", nia relembra, ko’alia iha tetun, lian ofisiál Timor-Leste nian ida mós. Ida seluk mak portugés.

 

Zeferina, sobrevivente hosi masakre ne’ebé hamate timoroan 250 resin (no neozelandés Kamal Bamadhaj), ko’alia sadere ba kronolojia ne’ebé hatudu istória luta ba independénsia Timor-Leste nian iha parede AMRT nian.

 

Nia imajen hanesan mós símbolu poderozu tebs ida, iha imajen nia leten, iha vídeo mak rekolla mós hosi Max Stahl ne’ebé pasa ininterruptamente, iha ekran kiik ida iha nia sorin: sirene nia lian, iha 'loop', aumenta dramatizmu liu tan iha momentu ne’ebé, ema barak hatete, istória Timor-Leste nian muda.

 

"Ema seluk nia raan mak suli mai ha’u-nia leten. Bainhira ha’u hadeer ha’u haree kamioneta ida atu tula sai mate sira hosi ne’ebá. Ha’u foti ulun no militár ida, see kilat mai ha’u no hatete atu ha’u hamriik ", nia esplika.

 

"Ha’u hadeer neineik no militár tebe ha’u ho botas".

 

No hateke hikas ba nia. Ho aten barani liu tan, tanba Zeferina la arrepende ba iha ne’ebá. Nein dezafia nia mana sira.

 

"Bainhira ha’u atu sai hosi uma ha’u mana sira bandu ha’u, maibé ha’u deside ona, ha’u tenke sai. Atu mate ka moris", nia hatete.

 

Difísil haree imajen sira? "Loos, difísil tebes. Ha’u hanoin katak ha’u sei mate".

 

SAPO TL ho Lusa

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